A vida do filósofo, físico e estadista norte-americano Benjamim Franklin o tornou célebre não só porque foi o inventor do pára-raios, mas também porque com Thomas Jefferson e John Adams redigiu o histórico manifesto da declaração da independência dos Estados Unidos (1776). Dizem-nos os seus biógrafos que Franklin, na sua mocidade, tinha a mais acendrada disposição para deploráveis vícios. E nem por isso deixou de ocupar um lugar de relevância entre os grandes do século XVIII.
No dia em que teve o firme propósito de corrigir-se, reconheceu preliminarmente que tinha de combater grande número de defeitos. Meditando nos ensinamentos dos Evangelhos, sublime espelho da vida humana, Franklin chegou à conclusão de que lhe faltavam as seguintes virtudes: a temperança, o silêncio, a resolução, a pureza e a humildade. Naturalmente, compreendeu não lhe ser possível adquirir todas essas qualidades de uma vez, e começou por fixar sua atenção sobre uma delas, a temperança, virtude sublime que encerra em si a moderação nos desejos, a modéstia, o amor à ordem e, sobretudo, a economia, que consiste em evitar as despesas inúteis.
Depois de acurados estudos dos santos Evangelhos e grande força de vontade, Franklin atingiu o que tanto desejava: a perfeição moral. Ele tinha por norma de conduta as treze máximas que se seguem, as quais devem nos servir de diretrizes para alcançarmos idêntico sucesso:
Temperança - Em ocasião nenhuma comas por tal modo que chegues a sentir-se incomodado, nem bebas a ponto de perder a razão.
Silêncio - Não fales senão em matéria que possas tu ou possam os outros colher utilidade: evita quanto puderes as conversações frívolas.
Ordem - Dá a cada coisa lugar certo; a cada negócio, tempo determinado.
Resolução - Quando tomares resolução acerca de qualquer coisa, toma-a firmemente e por uma vez, e nunca faltes às tuas promessas.
Economia - Não gastes o teu dinheiro senão em coisas de utilidade tua.
Trabalho - Não percas o tempo, ocupa-te sempre em alguma coisa útil; abstém-te de qualquer ação desnecessária.
Sinceridade - Evita os subterfúgios, pensa sempre com inocência e justiça, e diz sempre o que pensas.
Justiça - Não ofendas a ninguém, não só evitando-lhe qualquer dano, mas fazendo-lhe o bem que puderes.
Moderação - Foge dos extremos, isto é, usa mas não abuses; sente o bem e o mal conforme a tua razão te disser que eles o merecem.
Asseio - Não desprezes a obrigação que tens de cuidar na conservação da limpeza a arranjo do teu corpo, casa e vestuário.
Tranqüilidade - Não tomes a peito as bagatelas ou acontecimentos ordinários e evitáveis.
Continência - Abstém-te de todo e qualquer excesso.
Humildade - Toma por modelo desta a virtude de Cristo ou de Sócrates.
Benjamim Franklin, graças à transformação que sofreu sua vida ao praticar o que acima transcrevemos, chegou a ser cognominado "o bom homem Franklin".
Mas o fruto do Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança (Gl 5.22).
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